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Carlos Oriques
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Introdução

O OSPF (Open Shortest Path First) é um dos protocolos de roteamento link-state IGP (Interior Gateway Protocol) mais utilizados, devido ao seu histórico padronizado e não associado a nenhum fabricante específico, além de sua convergência rápida e escalabilidade relativamente simples.

Existem atualmente duas versões do OSPF:

> OSPFv2, usada para o roteamento IPv4
> OSPFv3, usada para o roteamento IPv6

Vamos usar aqui o OSPFv2 para explicar os conceitos do OSPF, que são aplicáveis também ao OSPFv3.

A topologia que usaremos é a seguinte:

figura_1.jpg

 

Router ID

Todo roteador OSPF possui um Router ID (RID), que é um identificador do roteador para o OSPF.

O Router ID tem o formato de um endereço IPv4, mas não é um endereço propriamente dito. É apenas um identificador.

Ele pode ser configurado manualmente com o comando router-id, ou obtido dinamicamente pelo OSPF.

Dinamicamente, o roteador tentará usar como Router ID o maior endereço IP entre todas as interfaces Loopback ativas; se não houver Loopback configurada, o maior endereço IP entre todas as interfaces físicas ativas será usado como Router ID. Mas a preferência sempre será pelo Router ID configurado manualmente!

 

Process ID e anúncio das redes

Para que uma rede possa ser roteada pelo OSPF, ela precisa ser explicitamente anunciada.

A forma mais tradicional de fazer esse anúncio é através do comando network:

[R1]
router ospf 1
 router-id 1.1.1.1
 network 10.0.0.0 0.0.0.255 area 0
 network 10.0.1.0 0.0.0.255 area 1

O Process ID (PID) 1 foi iniciado em R1. Esse número tem significância apenas local e não precisa ser o mesmo em todos os roteadores, embora seja boa prática manter a constância.

O Router ID foi configurado manualmente.

Os comandos network anunciam as duas redes diretamente conectadas em R1, uma na interface Gi0/1 e a outra na interface Gi0/2. Seria correto dizer também que essas duas interfaces foram anunciadas no OSPF.

O endereço da rede é acompanhado pela wildcard, que a nível de bit é o inverso da máscara de sub-rede. Para encontrar a wildcard correspondente a uma máscara de sub-rede, basta usar a sequência 255.255.255.255 e subtrair dela a máscara. Por exemplo, a wildcard correspondente à máscara 255.255.192.0 seria:

255.255.255.255 - 255.255.192.0 = 0.0.63.255

Em nossa topologia, todas as máscaras são /24. Na wildcard, os bits 0 indicam que a parte do endereço IP deve corresponder exatamente no match, enquanto os bits 1 indicam irrelevância.

 

Neighbors, Hello e Timers

Para trocarem informações de roteamento, os roteadores OSPF devem tornar-se neighbors (vizinhos).

Um neighbor é sempre um roteador que está conectado no mesmo enlace.

Em nossa topologia, R1 será neighbor de R4, por exemplo.

Todo roteador OSPF gera e envia pacotes Hello para fora de todas as suas interfaces anunciadas no OSPF. É através dos pacotes Hello que os roteadores tornam-se neighbors.

Ou seja, assim que uma interface é anunciada no OSPF, o roteador tenta encontrar outro roteador OSPF atrás dessa interface para que se torne neighbor dele.

Os pacotes Hello são usados também para manter a vizinhança. De tempo em tempo, os roteadores enviam pacotes Hello para informar aos seus neighbors que eles ainda estão na rede. Esse tempo é definido pelo Hello Timer, que por padrão é 10 segundos (Broadcast e Point-to-Point Networks) ou 30 segundos (Non-Broadcast Networks).

Se um roteador não receber pacote Hello de um neighbor dentro de um tempo determinado, o roteador irá desfazer essa vizinhança, considerando que o neighbor não está mais na rede. Esse tempo é definido pelo Dead Timer, que por padrão é 40 segundos (Broadcast e Point-to-Point Networks) ou 120 segundos (Non-Broadcast Networks).

Esses valores podem ser alterados por configuração:

R4(config)# interface g0/1
R4(config-if)# ip ospf hello-interval 1
R4(config-if)# ip ospf dead-interval 3

No exemplo acima, os timers da interface Gi0/1 de R4 foram alterados para 1 (Hello) e 3 (Dead) segundos:

R4# show ip ospf interface g0/1
GigabitEthernet0/1 is up, line protocol is up 
  Internet Address 10.0.1.41/24, Area 1, Attached via Network Statement
  Process ID 1, Router ID 4.4.4.4, Network Type BROADCAST, Cost: 1
  Topology-MTID    Cost    Disabled    Shutdown      Topology Name
        0           1         no          no            Base
  Transmit Delay is 1 sec, State BDR, Priority 1
  Designated Router (ID) 1.1.1.1, Interface address 10.0.1.12
  Backup Designated router (ID) 4.4.4.4, Interface address 10.0.1.41
  Timer intervals configured, Hello 1, Dead 3, Wait 3, Retransmit 5



LSAs e LSDB

Uma LSA (Link State Advertisement) é uma mensagem que os roteadores OSPF usam para compartilhar informações sobre o estado de seus links (link state).

Cada roteador gera suas próprias LSAs e troca essas LSAs com seus neighbors.

Existem múltiplos tipos de LSAs, sendo a mais comum a Router LSA, também conhecida como Type 1 LSA. Todo roteador OSPF gera essa LSA.

A Router LSA contém informações sobre os estados de todos os links que o roteador conhece. Ou seja, numa Router LSA, um roteador informa, por exemplo, quais redes ele tem diretamente conectadas e que foram anunciadas no OSPF.

Todas as LSAs geradas e recebidas por um roteador são armazenadas na LSDB (Link State DataBase) do roteador.

É usando as LSAs contidas na LSDB do roteador que o algoritmo do OSPF (conhecido como SPF, Shortest Path First, ou algoritmo de Dijkstra) executa seu processo para construir a tabela de roteamento do roteador.

 

Áreas e ABR

Muitas LSAs podem ser trocadas entre os roteadores OSPF, gerando tráfego na rede e consumindo recursos.

Quanto maior o tamanho da área OSPF, maior a quantidade de LSAs circulando e, consequentemente, maior o tamanho da LSDB de cada roteador.

E quanto maior a LSDB, maior o tempo e o processamento necessários para o algoritmo do OSPF construir a tabela de roteamento.

Para evitar essas sobrecargas, um mesmo domínio OSPF pode ser dividido em áreas.

Quanto menor a área, teremos menos roteadores e menos LSAs circulando, resultando em LSDBs menores e mais eficientes.

Uma LSA gerada em uma área não é enviada para outra área.

O roteador que conecta duas ou mais áreas entre si, ou seja, que contém interfaces em duas ou mais áreas, é chamado de ABR (Area Border Router).

O ABR tem a função de injetar informações de roteamento de uma área em outra área.

Em nossa topologia, R1 é um ABR. Ele faz a ponte entre a área 0 e a área 1. Portanto, R1 terá a função de injetar as informações de roteamento da área 0 na área 1 e vice-versa.

Para conseguir isso, R1 usa uma LSA chamada Summary LSA, também conhecida como Type 3 LSA.

Num domínio OSPF multi-area, a área 0 é sempre obrigatória! Ela é conhecida também como área de backbone.

Sem a área 0, o roteamento entre áreas não funcionará! O termo backbone significa que todas as informações de roteamento entre áreas devem passar pela área 0.

Todas as outras áreas devem estar conectadas à área 0. Ou seja, idealmente, toda área deve possuir um ABR que contenha uma interface na área 0.

Quando uma área não consegue se conectar diretamente à área 0, essa conexão deve ser emulada com um virtual link. Por exemplo, em nossa topologia, se houvesse uma área 3 conectada em R5, um virtual link teria que ser estabelecido entre essa área e a área 0.

Num domínio OSPF single-area, a área 0 não é obrigatória, mas é boa prática utilizá-la sobretudo por questões de escalabilidade.

 

Stub e Transit Networks

Na perspectiva do OSPF, uma rede pode ter duas funções distintas, sendo classificada como Stub Network ou Transit Network.

Vamos dar uma olhada na Router LSA gerada por R4 em nossa topologia:

R4# show ip ospf interface brief
Interface    PID   Area            IP Address/Mask    Cost  State Nbrs F/C
Lo0          1     1               10.4.0.1/24        1     LOOP  0/0
Gi0/1        1     1               10.0.1.41/24       1     BDR   1/1

R4# show ip ospf database router 4.4.4.4

            OSPF Router with ID (4.4.4.4) (Process ID 1)

Router Link States (Area 1)

  LS age: 602
  Options: (No TOS-capability, DC)
  LS Type: Router Links
  Link State ID: 4.4.4.4
  Advertising Router: 4.4.4.4
  LS Seq Number: 80000021
  Checksum: 0x86F7
  Length: 48
  Number of Links: 2

    Link connected to: a Stub Network
     (Link ID) Network/subnet number: 10.4.0.1
     (Link Data) Network Mask: 255.255.255.255
      Number of MTID metrics: 0
       TOS 0 Metrics: 1

    Link connected to: a Transit Network
     (Link ID) Designated Router address: 10.0.1.12
     (Link Data) Router Interface address: 10.0.1.41
      Number of MTID metrics: 0
       TOS 0 Metrics: 1

A rede da interface Loopback configurada em R4 é uma Stub Network.

Uma Stub Network é uma rede que possui um único gateway de entrada/saída. As redes LAN são exemplos de Stub Network, onde todo o tráfego entra e sai por um único roteador.

Em nossa topologia, a interface Loopback simula uma LAN.

Uma Transit Network é uma rede que possui dois ou mais roteadores no enlace, cuja função é transportar o tráfego entre os destinos finais.

Diferentemente de uma Stub Network, uma Transit Network não é o destino final do tráfego. Ela é uma rede intermediária, de passagem.

Em nossa topologia, a rede entre R4 e R1 é uma Transit Network, pois nela existem esses dois roteadores no enlace e sua função é apenas passar o tráfego de um destino final a outro.

A rede formada por R1, R2 e R3 também é uma Transit Network, já que temos três roteadores conectados no mesmo enlace (em um mesmo switch) que são usados apenas para a passagem de tráfego.

 

Broadcast, Non-Broadcast e Point-to-Point Networks

As redes também são classificadas pelo OSPF de acordo com o modo como os roteadores trocam LSAs e formam adjacência (tornam-se neighbors).

Nessa classificação incluem-se, entre outras, a Broadcast Network, a Non-Broadcast Network e a Point-to-Point Network.

Uma Broadcast Network é uma rede com dois ou mais dispositivos que conseguem se comunicar via broadcast e multicast.

Redes Ethernet são exemplos de Broadcast Networks. Em nossa topologia, todas as redes são Broadcast Networks, pois todas são compostas por interfaces GigabitEthernet, inclusive as redes que conectam R1 a R4 e R2 a R5.

Nas Broadcast Networks, os roteadores OSPF trocam pacotes Hello através do endereço IP multicast 224.0.0.5 (All OSPF Routers).

Uma Non-Broadcast Network (ou NBMA, Non-Broadcast Multi-Access) também é uma rede com múltiplas conexões, mas que não suporta broadcast e multicast nativamente.

Redes MPLS são exemplos de Non-Broadcast Networks.

Nas Non-Broadcast Networks os neighbors precisam ser configurados manualmente nos roteadores, pois o OSPF não consegue encontrá-los dinamicamente via multicast. Uma vez configurados, os roteadores trocam pacotes Hello via unicast.

Uma Point-to-Point Network é uma rede composta por apenas dois roteadores e cuja tecnologia L2 não permite a inclusão de outros roteadores, ou seja, sempre serão apenas dois roteadores conectados um ao outro.

Redes seriais HDLC e PPP são exemplos de Point-to-Point Networks. Nessas redes, o OSPF troca pacotes Hello através do multicast 224.0.0.5 (All OSPF Routers).

Em nossa topologia, a conexão entre R1 e R4, por exemplo, é topologicamente (ou fisicamente) point-to-point, mas a tecnologia L2 utilizada (Ethernet) permite a operação de mais de dois roteadores no mesmo enlace, então para o OSPF essa rede é uma Broadcast Network, e não uma Point-to-Point Network.

 

DR e BDR

As Broadcast e Non-Broadcast Networks são redes que permitem a operação de mais de dois roteadores no mesmo enlace.

Em nossa topologia, a rede composta por R1, R2 e R3 é uma Broadcast Network (Ethernet) com três roteadores no mesmo enlace (mesmo switch). Neste caso teríamos três adjacências formadas: R1-R2, R1-R3 e R2-R3.

Mas, vamos imaginar uma rede composta por 10 roteadores. A fórmula para calcular a quantidade de adjacências é n(n-1)/2, onde n é a quantidade de roteadores. Neste caso, teríamos 45 adjacências formadas!

Para evitar a formação de muitas adjacências e o grande volume de pacotes OSPF circulando na rede, em Broadcast e Non-Broadcast Networks o OSPF trabalha com DR e BDR.

DR (Designated Router) é o roteador central da rede, e BDR (Backup Designated Router) é o backup desse roteador. Caso o DR falhe, o BDR assume imediatamente sua função.

Qualquer roteador que não seja o DR ou o BDR é chamado de DROther.

Todos os DROthers formarão adjacência FULL apenas com o DR e o BDR. Uma adjacência FULL significa que os roteadores possuem suas LSDBs sincronizadas.

Ou seja, numa rede com 10 roteadores, 8 serão DROthers, que serão neighbors do DR e do BDR, somando 16 adjacências FULL. Como o BDR também forma adjacência FULL com o DR, teremos um total de 17 adjacências FULL na rede, em contraste com as 45 que existiriam se não houvesse DR e BDR.

Uma LSA gerada por um DROther é enviada via multicast e recebida apenas pelo DR e BDR. Com informações recebidas de cada roteador da rede, o DR gera uma LSA chamada Network LSA, ou Type 2 LSA, para comunicar essas informações aos outros roteadores da rede. Por exemplo, numa rede formada por 4 roteadores, R1 como DR e R2 como BDR, R3 não possui adjacência FULL com R4 (ambos DROthers), de modo que R3 só saberá das informações de R4 através da Network LSA recebida do DR.

Os DROthers se comunicam com o DR e o BDR através do endereço IP multicast 224.0.0.6 (All DR/BDR Routers).

A escolha de qual roteador será o DR e o BDR é feita pelo OSPF usando dois parâmetros: prioridade da interface e Router ID.

O valor de prioridade de uma interface OSPF é igual a 1 por padrão. Esse valor pode ser alterado por configuração, variando entre 0 e 255.

A eleição do DR começa com a checagem da prioridade das interfaces. A interface com maior prioridade vencerá, e o roteador será eleito DR. Se houver empate, o roteador que possuir o maior Router ID será eleito DR.

O BDR será o roteador com segunda maior prioridade ou segundo maior Router ID.

Para exemplificar tudo isso, vamos dar uma olhada na interface Gi0/1 de R1:

R1# show ip ospf interface g0/1
GigabitEthernet0/1 is up, line protocol is up 
  Internet Address 10.0.0.11/24, Area 0, Attached via Network Statement
  Process ID 1, Router ID 1.1.1.1, Network Type BROADCAST, Cost: 1
  Topology-MTID    Cost    Disabled    Shutdown      Topology Name
        0           1         no          no            Base
  Transmit Delay is 1 sec, State DR, Priority 1
  Designated Router (ID) 1.1.1.1, Interface address 10.0.0.11
  Backup Designated router (ID) 2.2.2.2, Interface address 10.0.0.21
  Timer intervals configured, Hello 10, Dead 40, Wait 40, Retransmit 5

Observe que R1 (RID 1.1.1.1) foi eleito DR, e R2 (RID 2.2.2.2) tornou-se BDR. R3, consequentemente, ficou como DROther.

Considerando que a prioridade das interfaces não foi alterada, podemos supor uma certa confusão nessa eleição, já que o roteador com menor Router ID foi eleito DR, enquanto o roteador com maior Router ID ficou como DROther. O correto deveria ser o contrário!

Mas o que aconteceu aqui foi uma inicialização do processo OSPF em tempos distintos. O processo OSPF em R1 foi iniciado primeiro, e quando R1 iniciou a eleição de DR/BDR, R2 e R3 ainda não haviam sido iniciados. Como só havia ele, então ele considerou a si próprio como o DR da rede.

Quando R2 iniciou seu processo OSPF, embora possua Router ID maior que R1, ele observou que já havia um DR na rede, e a opção que lhe restou foi assumir como BDR. Ou seja, não há preemption quando se trata de DR/BDR: se um roteador com Router ID maior for incluído em uma rede que já possua DR e BDR, ele não tentará assumir nenhuma dessas funções e ficará como DROther. Foi o caso de R3, que embora tenha o maior Router ID entre todos, foi o último a iniciar o processo OSPF, ficando como DROther.

É preciso haver certa simultaneidade na inicialização do processo OSPF em todos os roteadores da rede para que a eleição do DR/BDR inclua todos os roteadores.

Depois de iniciado o processo OSPF, uma interface aguardará um determinado tempo antes de iniciar a eleição do DR/BDR. Esse tempo é chamado de Wait Timer, e seu valor sempre será o mesmo do Dead Timer:

R1# show ip ospf interface g0/1
GigabitEthernet0/1 is up, line protocol is up 
  Internet Address 10.0.0.11/24, Area 0, Attached via Network Statement
  Process ID 1, Router ID 1.1.1.1, Network Type BROADCAST, Cost: 1
  Topology-MTID    Cost    Disabled    Shutdown      Topology Name
        0           1         no          no            Base
  Transmit Delay is 1 sec, State DR, Priority 1
  Designated Router (ID) 1.1.1.1, Interface address 10.0.0.11
  Backup Designated router (ID) 2.2.2.2, Interface address 10.0.0.21
  Timer intervals configured, Hello 10, Dead 40, Wait 40, Retransmit 5

Para forçar que um roteador seja eleito como DR ou BDR, basta aumentar a prioridade da interface desses roteadores via configuração. Para forçar que um roteador fique como DROther, a prioridade da interface deve ser configurada para 0:

R1(config)# interface g0/1
R1(config-if)# ip ospf priority ?
  <0-255>  Priority



Estabelecimento de adjacência FULL

Como vimos, os roteadores precisam tornar-se neighbors para trocarem LSAs. Mas na realidade, o que eles precisam formar é uma adjacência FULL, tornando-se neighbors completos.

Existe uma diferença entre neighbors, dito genericamente, e adjacência FULL.

Um roteador DROther é neighbor de outros roteadores DROthers na rede, mas eles não têm adjacência FULL. Eles apenas sabem da existência uns dos outros, mas não trocam LSAs diretamente entre si.

O processo de estabelecimento de adjacência FULL compreende vários estados.

Em nossa topologia, digamos que o processo OSPF tenha sido iniciado em R4, mas sua interface Gi0/1 ainda está desabilitada (shutdown). Nesse estágio, o estado OSPF está DOWN.

Quando a interface é habilitada (no shutdown), o OSPF entra no estado de INIT. Nesse estágio, o roteador envia e recebe pacotes Hello na interface, mas ainda não encontra informações sobre si próprio nos pacotes Hello que recebe. Ou seja, R4 ainda não vê seu próprio Router ID listado no pacote Hello que recebe de R1. É como se R4 entendesse que R1 ainda não sabe da sua existência.

A partir do momento que R4 começar a receber pacotes Hello que tenham seu próprio Router ID listado, o OSPF entrará no estado de 2-WAY. Nesse estágio, o roteador continua enviando e recebendo pacotes Hello, mas agora com a certeza de que o outro roteador já tem conhecimento de sua existência.

A formação de vizinhança entre DROthers termina aqui. A partir desse estágio começa o processo de estabelecimento da adjacência FULL.

O próximo estado é conhecido como EXSTART. Nesse estágio, os roteadores já neighbors decidem quem vai começar o processo de troca de DBDs (DataBase Descriptions).

Uma DBD é um sumário, uma lista de todas as LSAs que o roteador possui. A DBD não contém a LSA em si, mas apenas uma referência a ela.

A troca de DBDs começa efetivamente no próximo estágio, chamado de EXCHANGE. Quem inicia a troca de DBDs é chamado de master, enquanto o outro roteador, que aguarda o início do processo, é chamado de slave.

Depois que as DBDs são trocadas, o OSPF entra no estado de LOADING. É nesse estágio que ocorre a sincronização das LSDBs dos roteadores.

Se um roteador não possuir uma LSA listada na DBD recebida de seu neighbor, ele vai solicitar essa LSA enviando uma LSR (Link State Request) ao neighbor. O neighbor responde a LSR com uma LSU (Link State Update), que contém a LSA solicitada. Se o roteador receber a LSU corretamente, ele retornará um LSAck (Link State Acknowledgment) ao neighbor, reconhecendo o recebimento da LSU.

Uma LSR pode conter solicitações de várias LSAs, e uma única LSU pode conter várias LSAs.

As LSAs recebidas por um roteador são armazenadas em sua LSDB. Quando o estado de LOADING é concluído, as LSDBs dos roteadores devem estar idênticas, isto é, sincronizadas. E assim os roteadores fecham uma adjacência completa, entrando em estado FULL.

Em suma, os estados que um roteador passa para estabelecer adjacência FULL com seu neighbor são: DOWN > INIT > 2-WAY > EXSTART > EXCHANGE > LOADING > FULL.

Esse processo pode ser visualizado no roteador com o debug ip ospf adj, que deve ser iniciado antes de habilitar a interface.

E como adendo: em Non-Broadcast Networks existe um estado chamado ATTEMPT, que ocorre logo depois do DOWN. Nesse estágio, o roteador tenta se comunicar com o outro através de pacotes Hello enviados para o endereço IP unicast previamente configurado:

Router(config)# router ospf 1
Router(config-router)# neighbor 192.168.10.2

No exemplo acima, no estado ATTEMPT o roteador vai tentar enviar pacotes Hello para 192.168.10.2, que foi configurado manualmente como seu neighbor. Se uma resposta for recebida, o processo continuará com o estado INIT.

Vale ressaltar que o estado ATTEMPT só é necessário em Non-Broadcast Networks, que não permitem o uso do endereço IP multicast do OSPF.

 

Métrica e AD

Como todo protocolo de roteamento, o OSPF possui sua métrica e AD (Administrative Distance).

A métrica é usada para determinar qual a melhor rota para um destino entre duas ou mais rotas para esse mesmo destino encontradas pelo OSPF.

Por exemplo, digamos que um roteador tenha encontrado três rotas diferentes para chegar numa mesma rede. O OSPF precisa escolher qual é a melhor entre essas três rotas, e essa melhor rota será incluída na tabela de roteamento. O parâmetro que o OSPF usa para fazer essa escolha é a métrica.

A métrica do OSPF é chamada de custo. Quanto menor o custo, melhor a rota.

O custo é um valor associado a cada interface OSPF. Para chegar a esse valor, o OSPF utiliza a seguinte fórmula:

Custo = Bandwidth de referência / Bandwidth da interface

A bandwidth (largura de banda) de referência padrão é 100 Mbps. Esse valor pode ser alterado por configuração.

Com base nessa fórmula, chegamos aos seguintes custos: 10 para interfaces Ethernet (de 10 Mbps) e 1 para interfaces FastEthernet (de 100 Mbps). Para interfaces GigabitEthernet (de 1 Gbps) em diante, convencionou-se fixar um custo de 1, mas esse custo pode ser alterado com o ajuste da bandwidth de referência por configuração.

Se o OSPF encontrar duas ou mais rotas com a mesma métrica (mesmo custo), ele fará o balanceamento de carga entre essas rotas. Essa técnica é chamada de ECMP (Equal-Cost MultiPath), que permite a inclusão de múltiplas rotas com o mesmo custo na tabela de roteamento.

A métrica, portanto, é usada quando há duas ou mais rotas para um mesmo destino encontradas pelo próprio OSPF.

Já a AD é usada quando dois ou mais métodos de roteamento estão em execução no roteador.

A AD do OSPF é igual a 110 por padrão, mas esse valor pode ser alterado por configuração.

Por exemplo, se o OSPF encontrou uma rota para a rede X, mas o roteador possui uma rota estática configurada também para essa rede X, o parâmetro que vai determinar qual rota será usada é o valor de AD. Como rotas estáticas possuem AD menor (igual a 1) que a do OSPF, a rota estática será preferida e incluída na tabela de roteamento.

Ou seja, a AD é usada quando duas ou mais rotas para um mesmo destino são encontradas por métodos de roteamento diferentes.

A métrica e AD podem ser consultadas da seguinte forma:

R4# show ip route ospf
Codes: L - local, C - connected, S - static, R - RIP, M - mobile, B - BGP
       D - EIGRP, EX - EIGRP external, O - OSPF, IA - OSPF inter area 
       N1 - OSPF NSSA external type 1, N2 - OSPF NSSA external type 2
       E1 - OSPF external type 1, E2 - OSPF external type 2
       i - IS-IS, su - IS-IS summary, L1 - IS-IS level-1, L2 - IS-IS level-2
       ia - IS-IS inter area, * - candidate default, U - per-user static route
       o - ODR, P - periodic downloaded static route, H - NHRP, l - LISP
       a - application route
       + - replicated route, % - next hop override

Gateway of last resort is not set

      10.0.0.0/8 is variably subnetted, 7 subnets, 2 masks
O IA     10.0.0.0/24 [110/2] via 10.0.1.12, 00:00:01, GigabitEthernet0/1
O IA     10.0.2.0/24 [110/3] via 10.0.1.12, 00:00:01, GigabitEthernet0/1
O IA     10.5.0.1/32 [110/4] via 10.0.1.12, 00:00:01, GigabitEthernet0/1

Na tabela de roteamento, o primeiro e o segundo valores entre colchetes correspondem à AD e à métrica, respectivamente.

Em nossa topologia, R4 possui três rotas OSPF. Para chegar na rede 10.0.0.0/24 (área 0), R4 passa por duas interfaces GigabitEthernet de saída: a sua própria Gi0/1 e a Gi0/1 de R1. Somando o custo dessas duas interfaces, o custo total que R4 tem para chegar na rede 10.0.0.0/24 por essa rota é igual a 2. É o que chamamos de custo acumulado ou custo agregado.

A mesma ideia se aplica às outras duas rotas. Para a rede 10.0.2.0/24 (área 2), o custo acumulado é igual a 3. A rota sai pela Gi0/1 de R4, depois sai pela Gi0/1 de R1, e por fim sai pela Gi0/2 de R3.

O IP 10.5.0.1/32 é a interface Loopback configurada em R5, cuja rota segue o mesmo caminho da anterior, mas com uma saída (custo) adicional, que é a própria interface Loopback, cujo custo também é igual a 1, resultando numa rota com custo acumulado igual a 4.

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